sexta-feira, 4 de março de 2016

[Preconceito] Alunx Mediadxr



Este texto não é sobre mim, mas sobre algo que descobri esta semana, neste constante apreender que é dar aula, sempre que tinha algum comentário racista, machista, homofóbico, xenofóbico, preconceituo, eu levava o aluno para fora e explicava o que ele havia feito, ficava minutos explicando, o que parece bom,   mas me dei conta de algo muito grave que fazia, tirava o protagonismo dos(as) alunos(as), sobretudo daqueles que já havia uma consciência sobre o tema.  
Esta semana tive uma luz na sala do 8° ano, (Eureka), e resolvi levar uma aluna para falar sobre as ofensas machistas que um aluno fez (do lado de fora da sala), OMG, mudou meu mundo, juro para vocês, ela explicou de forma tranquila, que ele não pode chamar a amiga de "piranha", porque você está ofendendo ela pelo fato dela ser mulher, Karine Baboni sambou (beijo sua linda) e o aluno saiu satisfeito com a explicação.
Sim é simples é pontual, mas é um importante avanço que tive no meu 5º ano dando aula, mas como acho que este exemplo pode servir para outras pessoas, resolvi compartilhar, usem alunos mediadores, eu usava em aspectos pedagógicos-didáticos, mas agora vou passar a usar neste também, sobre apreende todos os dias.   

Sim este texto vai ser curto , mas quero terminar com alguns questionamentos e afirmações:

1º  Jamais chame atenção de seus alunos na frente dos outros (exceto em questões pontuais e caso seja para sala inteira) 
2° Se não foi você que sofreu preconceito, porque você precisa explicar o preconceito? será que não posso usar um aluno mediador? 
3º Na ausência de uma pessoa que possa mediar é obrigação do educador esclarecer o preconceito
4° Você não está perdendo tempo de aula, você está educando .


quinta-feira, 3 de março de 2016

[Ensaio ] Geografia e Estudo do Meio



"Gosto do terreno em desnível
que me inclina para o mar
Gosto dos atalhos
desenhados sobre a grama
Gosto desses deltas
desses rios
cheios de bifurcações
Mapas de sistemas de transportes
Linhas, pontos, estações"
                     
Ludov

Resolvi reescrever este texto e contar um pouco da importância de levar os(as) alunos(as) para estudo do meio e trazer as diversas realidades para dentro da sala de aula. 
Para começo de conversa, poucos entendem esta paixão que os geógrafos têm por conhecer o mundo, andando por lugares cheios de insetos, acampando onde dá, subindo morros, viajando quilômetros para ver um rio, uma cachoeira, um relevo, um lixão, uma usina, um parque, uma festa caipira, um assentamento sem terra, o que para muitos não faz tanto sentindo, explica minha paixão pela geografia.
Mas estou extremamente feliz porque mês que vem vou levar minhas salas para Flona de Ipanema (lugar que me descobri geógrafo) , espero com isto despertar interesse sobre aquele lugar, a mata, a observação da paisagem, o contato com a flora e com fauna etc... coisas que penso ser fundamental para despertar a cidadania no aluno. 
Considero este tipo de "passeio" como chama a escola e um estudo do meio como prefiro chamar; como um possível ponto de partida para que os alunos e as alunas tomem gosto pela ciência, ou aumente este gosto pelo estudo e claro pela geografia. 
Também acho, que temos que mostrar que os conteúdos de cada matéria são importantes, mas temos que entender que é apenas a forma ou a "lente" que colocamos para ver o mundo, que as coisas na realidade não são separadas é fundamental dar ao aluno e a aluna uma maior autonomia em sua observação.
Sempre que posso tento trazer para sala de aula, a forma que o(a) geógrafo(a) vê o mundo, desde sua analise do relevo, processo de ocupação, até mesmo as coisas mais simples e corriqueira como o sistema de transporte, comércio e a industria.
Para finalizar trazer a realidade do aluno para sala de aula é fundamental, assim como levar o(a) aluno(a) para outras realidades também, seja através do Estudo do meio ou até mesmo contando os relatos dos lugares onde você esteve e qual sua visão como cientista daquele lugar?!

Se foi assim que me apaixonei pela geografia! porque quero que com meu aluno e com minha aluna seja diferente!

"Para geografia nosso laboratório é o mundo"

quarta-feira, 2 de março de 2016

Começo de Conversa


Em uma sociedade onde a práxis é sempre renegada à teoria, onde um artesão pouco tem espaço comparado a um designer, onde o professor aparenta ser menor que um pesquisador,  o meu intuito não vai ser aprofundar esta dualidade, pois sabemos que isto é fruto de uma grande racionalização da sociedade, mas quero entender que o artesão também é um designer, e o professor é sim um grande pesquisador, talvez um pouco menos pragmático em seus resultados, mas sim somos.
Buscando entender esta loucura de pensamentos e histórias cotidianas presente na práxis revolucionária que é estar na linha de frente na escola, resolvi criar este blog; costume que eu tenho desde de algum tempo e sazonalmente eu volto a escrever.
Quero com isto mostrar as diversas possibilidades que têm na pratica cotidiana escolar e problematizar o que é ensinar,  fugindo da simplória visão pessimista, sem perder o horizonte utópico (de galeano)  e sem perder o chão da realidade.
Queria eu exibir tudo isto de forma poética, mas não tenho a habilidade de meu amigo Carlos Augusto, nem a sensibilidade de Marco Sant'Anna e Otavio Schoeps, acho que minhas laminas verbais não estão tão afiadas, ainda, mas tenho uma capacidade de dar pedradas em vidraças e de consertar vidraças quebradas e usarei as mesmas, início por aqui, ou não, este diário de campo cotidiano.


Fernando Freitas - Professor da Escola Estadual Lauro Sanchez, Aquariano com ascendência em Capricórnio, e falta muito para festa junina?